quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Corrida



Desenho: Dudu.
Vez por outra, quando desviava o olhar para o chão, enxergava o conjunto de paralelepípedos passando rapidamente pela sola de seu tênis kichute. O sol ainda aparecia tímido por trás das montanhas naquela manhã, e a cidadezinha acordava para cumprir seu ritual matinal antes da missa das dez. A maioria das casas já havia recolhido o jornal e o leite, que madrugavam juntos na porta de entrada de cada domicílio aguardando pacientemente o momento de serem, enfim, convidados a entrar e então compartilhar mais um início de domingo em família.

Pelas ruas sinuosas e com pavimentação irregular, o menino corria numa velocidade como nunca havia experimentado antes. Seus cabelos, longos e dourados ao toque suave dos primeiros raios, serpeavam soltos pelo ar como se deleitassem o instante magnífico de permanecerem suspensos, livres em pleno voo. As pernas finas e compridas emprestavam-lhe um porte de maratonista, embora o tempo de respiração ligeiramente descompassado evidenciasse o caráter diletante do pequeno corredor. Impressionava, no entanto, a determinação com que vencia cada metro de chão, despertando a curiosidade de quem cruzava o seu caminho.

A carreira começou lá no terreno baldio, ao lado do campinho de futebol. A turma procurava a bola isolada em meio ao vasto matagal quando o moleque, de chofre, saiu em disparada. Entrou pela Rua dos Arbustos ainda meio atarantado e quase derrubou a barraquinha de balas e doces tradicionalmente localizada próxima à banca de jornal, na primeira esquina por que passou. Era necessário estar atento aos obstáculos, um tombo seria catastrófico para as suas pretensões. Sem diminuir o ritmo, concentrou-se, ao máximo, para desviar das raízes que desenhavam no solo perigosas armadilhas com suas miríades de ramificações em alto relevo. A rua mais arborizada do lugarejo, decididamente, não era o cenário mais convidativo para uma despretensiosa corrida que fosse.

Arfante, ganhou a Alameda das Camélias. O suor já começava a percorrer toda a superfície do corpo, e as pernas, paulatinamente, ensaiavam um pedido de descanso. Solicitação que era prontamente negada por um cérebro austero e resoluto, pois não havia tempo a perder, cada segundo era precioso. Toda a concentração no trajeto era pouca, embora a rua mais perfumada da localidade lhe trouxesse recordações profundamente agradáveis. Passou seus primeiros anos ali, numa casa pequenina, mas provida de um generoso quintal de onde sentia penetrar o odor das camélias em meio às mais variadas brincadeiras. Ele começava a sentir o mesmo cheiro doce da infância ainda fresca em sua mente...

Antes que os pensamentos fugidios ameaçassem seu desempenho, alcançou o trecho mais movimentado da Rua Torta. Deixou para trás a aconchegante – porém, naquele contexto, ameaçadora memória – para voltar o foco ao percurso. O bom corredor mantém sempre os olhos fixados no trajeto, calcula com precisão os pontos críticos do caminho, antevendo os percalços de maneira preventiva contra os possíveis acidentes. Era necessária muita cautela na via mais sinuosa da região. Àquela altura, completava dois terços do mapa de corrida traçado mentalmente a partir do momento em que saiu em franca disparada. Mantendo a velocidade, bateria sua meta, no máximo, em um par de minutos.

Ao entrar à direita, encontrou finalmente a grande reta. A Rua da Redenção parecia expressar, na mais pura acepção da palavra, o estado de espírito daquele menino de dez anos que corria desembestado pela cidade afora. Finalmente avistava a linha de chegada. Ao enxergar sua casa ao longe, encheu-se de ânimo para doar suas últimas centelhas de energia no intuito de assegurar o sucesso de sua jornada. Parecia mais aflito à medida que se aproximava do objetivo. Acontece sempre: quanto mais perto, maior a tensão ou maior o relaxamento. Daí os piores acidentes ocorrerem quando o destino se avizinha, seja por insegurança, seja por excesso de confiança. Em seu caso, o receio de pôr tudo a perder a poucos metros do final começava a assombrá-lo.

Cerca de quarenta metros separavam o menino da porta de entrada quando um pedregulho ressaltado selou a sua sorte. Uma passada em falso e as pernas se embolaram projetando todo o corpo para frente. As mãos e os joelhos tocaram primeiro o solo, deslizando dolorosamente pelos impiedosos paralelepípedos da Rua da Redenção, que poderia se chamar agora Rua do Fracasso ou Rua da Decepção, tamanha frustração em se ver ali, estatelado no chão e sem forças para se erguer. Ao tentar contabilizar a extensão dos ferimentos, atinou de imediato o sangue jorrando em catadupas e colorindo de vermelho escuro sua canela esquerda. Não resistiu ao impacto de observar, na altura da patela, o talho profundo e horizontal rasgando a pele de uma ponta a outra. Desmaiou na hora.

Passado susto, ver com nitidez o rosto aflito de sua mãe causou-lhe enorme euforia. Não por encontrá-la agoniada na tentativa de reanimá-lo, mas simplesmente por poder enxergá-la. Percebeu que seus machucados já estavam cobertos por curativos e notou o relógio de parede de seu quarto apontar o meio-dia. Mais de duas horas se passaram e ele ainda podia contemplar o mundo à sua volta! Talvez a história contada por seu amigo Bentinho não passasse de uma grande patranha: “Se, algum dia, um camaleão de cabeça verde encostar aquela língua nojenta em qualquer parte do seu corpo, só tem um jeito de não pegar cegueira: tem que beber água antes dele.” 

Pelo sim, pelo não, achou melhor não arriscar. O preço era muito alto para bancar o sabe-tudo. Logo após o breve entrevero com o camaleão, o menino só pensou em correr, correr e correr. Certamente, o tombo imprevisto decretou sua derrota, o bicho já devia ter alcançado o rio que passava detrás do terreno baldio há muito tempo. Entre o gosto amargo de ser vencido e o doce alívio de sair incólume da sua suposta perda de visão, o moleque esboçou um sorriso e exclamou pra si mesmo: “Eita, Bentinho mentiroso!” 

Licença Creative Commons
A obra A Corrida de Alexandre Cunha dos Santos foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em tipoescrito.blogspot.com.
Podem estar disponíveis permissões adicionais ao âmbito desta licença em http://www.tipoescrito.com.br.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A Hora de Dormir



Desenho: Dudu (9)
Queria apenas deitar a cabeça no travesseiro e dormir imediatamente. A maldita colcha – presente da mãe da Mônica –, antes estendida sobre a cama, já havia sido posta de lado para abrir caminho ao meu corpo esgotado. A propósito, não sou louco de externar isto que vou pensar agora, mas, sempre ao me deparar com a tal coberta, fico com vontade de me ajeitar pela sala mesmo. Seus tons de amarelo escuro e preto por si só já tornam a combinação infeliz. E o que dizer das figuras sextavadas de mais ou menos quatro centímetros de aresta formando sucessivos alvéolos por toda a extensão do tecido? Isso mesmo! A sensação é de um imenso favo de abelha no meio do nosso quarto.
 
Encontrar o lençol branco diretamente esparramado pela cama foi inegavelmente um alívio para os olhos. Mônica adormecera vendo a novela, e a TV ligada preenchia burocraticamente de luz e som o recinto. Achei por bem desligá-la logo – quarto escuro, como manda o figurino! – e ir deitar de uma vez por todas. Talvez o tenha feito com alguma precipitação. A luminosidade vinda do corredor contornando as extremidades da porta sinalizava a necessidade de que eu me pusesse de pé novamente: primeira reversão de expectativa. No entanto, sem me deixar levar pelo impulso inicial, busquei rapidamente uma razão minimamente plausível para evitar esse meu já inconveniente deita-e-levanta de todas as noites, antes de dormir. Hoje não!... Pensando bem, a iluminação daria uma segurança maior às crianças caso acordassem no meio da noite, assustadas.

Vencido o primeiro round, hora de refazer mentalmente os meus três últimos minutos, uma espécie de check-list de atribuições para um sono tranquilo e reparador. Ao passar pelo quarto dos meninos, dei um beijo em cada bochecha e desliguei o abajur – Ótimo! Mais um motivo para conservar aceso o corredor, certamente iriam ficar amedrontados naquele breu todo. Fitei-os por alguns segundos até me certificar sobre a normalidade de sua respiração. Aguardei até que o movimento do diafragma de cada um completasse um ciclo por três vezes consecutivas. Demorei-me um pouco mais hoje. Provavelmente por distração, acabei contando cinco inspirações para o Léo. Tive de refazer a contagem para o Lipe também, não gostaria de parecer injusto.

As portas da sala e de serviços foram devidamente trancadas; a entrada social com três voltas na papaiz. A esquadria da área dos fundos, geralmente aberta para manter a ventilação, foi fechada excepcionalmente. Acostumada a visitar o apartamento a partir das onze, a brisa noturna chegou com ares mais frios que o habitual. Geladeira e freezer vedados, assim como as torneiras do tanque, da cozinha e dos banheiros. Passando pela sala, arrumei o quadro de cima do sofá, ligeiramente pendido para o lado esquerdo. Não apaguei o interruptor do corredor antes de entrar no quarto, porém, como ponderado há alguns minutos, não foi de todo o mal...

Finalmente, hora de dormir! Cheguei a perceber o desligamento de consciência por um átimo quando o ruído molhado da chuva alertou meus ouvidos quase desatentos. Não parecia, de modo algum, perturbador o barulho dos pingos, longe disso. Na cadência em que precipitavam, compunham até mesmo um improvisado aconchego sonoro. Se por um aspecto, a inesperada sinfonia do lado de fora não se estabeleceu de maneira desagradável, por outro, foi o suficiente para trazer de volta ao embate os meus pensamentos, como se erguessem da lona em frangalhos, porém indômitos, durante a contagem aberta com o primeiro knock-down. A luta entre o sono e a consciência permanecia indefinida.

Percorro novamente o último roteiro na intenção de me certificar se havia deixado escapar algum item, considerando então este novo cenário, desta vez, chuvoso. A esquadria da área dos fundos já estava fechada por causa da brisa fria. A sala, lembro-me de ter cerrado as cortinas quando fui realinhar o quadro torto, portando o janelão permanecia encostado. Os quartos, invariavelmente com seus aparelhos de ar-condicionado em funcionamento – seja inverno ou verão –, evidenciavam total controle da situação. A sensação de alívio teria sido completa não fosse o fato de surgir à mente, de chofre, a imagem do meu carro. A propósito, não estou convicto de ter elevado os vidros ao trancar o automóvel.

Não importa, isso não iria me fazer levantar da cama agora. Danem-se os estofados de couro! Ainda sim, existe, no mínimo, cinquenta por cento de chance deste bendido vidro estar realmente suspenso. Se a situação trouxesse algum risco iminente à família, não pagaria pra ver, mas, nestas circunstâncias... O máximo seria um inconveniente material. Novo round vencido! O sono parecia retomar o controle do rinque. No entanto, ardilosa, a consciência aparentava apelar para seu último recurso ao tentar buscar quais seriam, de fato, os tais riscos iminentes à família. Um direto levou à lona o oponente, completamente grogue por se dar conta de que as saídas de gás do fogão não haviam sido checadas. Imagina! Morte por intoxicação! Não me perdoaria jamais! 

Decepcionado com mais um fracasso, enfim, levanto-me resignado em direção à cozinha. Evidentemente as saídas de gás do fogão estavam vedadas, não fosse assim teria percebido algo de estranho ao deitar. Volto para cama, apreensivo. Espero que eu passe incólume – e o mais rápido possível – pelo novo check-list.


Licença Creative Commons
A obra A Hora de Dormir de Alexandre Cunha dos Santos foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em tipoescrito.blogspot.com.
Podem estar disponíveis permissões adicionais ao âmbito desta licença em http://tipoescrito.com.br.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Um Segundo e Meio Depois



Desenho: Dudu (9)
De súbito, uma frase atravessada cruzou a mesa acometendo meus ouvidos desarmados. Justamente aquele encontro, promovido à custa de muita insistência, tinha o objetivo de acalmar os ânimos exaltados das últimas semanas. Pelo menos, o cenário era favorável. As notas do piano compunham harmonicamente o som ambiente, tornando o simpático bistrô ainda mais aprazível. A segunda garrafa de vinho tinto trazia maior satisfação ao paladar que a anterior, contribuindo de maneira decisiva com a crescente desenvoltura de nossa conversa. Até então, o clima beligerante havia sido substituído por uma promissora possibilidade de reconciliação.

Era a primeira vez em que saía de casa nesses sete anos de casamento. Tudo por causa de uma despretensiosa carona. Como explicar um batom perdido no console do carro? Até existe justificativa, pois não há nada demais em transportar uma colega de trabalho que seguiria por um trajeto semelhante. O problema é levar alguém tão distraído a ponto de deixar um rastro inocente, embora comprometedor ao faro feminino de uma esposa desconfiada.

Mesmo sem culpa no cartório, não conseguia parar de gaguejar. O rosto lívido, o olhar de espanto e os dedos irrequietos coçando a cabeça de maneira intermitente desenhavam o perfil do réu sem defesa. Jurei inocência, no entanto, as evidências pareciam refutar de bate-pronto qualquer tentativa minha de explicar a situação. Parecer culpado é tão constrangedor como ser culpado de fato. Não adiantava repetir, pela décima vez, que o raio do batom não era de nenhuma vagabunda com quem estava saindo.

Rosana permanecia irredutível. A traição arquitetada por sua imaginação tornara-se líquida e certa, não me permitindo qualquer recurso em minha defesa. A sentença já estava formulada, e as duas malas de roupas empilhadas sobre o capacho da porta de entrada indicavam o caminho a seguir. Naquele instante, senti muita vontade de ter tido efetivamente alguma responsabilidade. Seria mais justo pra nós dois, assim o casamento terminaria por algo concreto. Não merecíamos ter a figura de um culpado inocente, de um vilão sem delito, de um pecado sem originalidade como estopim de nossa separação.

Os primeiros dias foram de isolamento absoluto. A partir da segunda semana, ela passou a atender minhas ligações e, finalmente, algum tempo depois, marcamos nosso jantar. Não imaginava encontrá-la tão atraente, ou melhor, havia me esquecido da última vez em que se produzira daquela maneira – decididamente, Rosana não trazia consigo o cabelo, a pele e o olhar cotidianos. Não demorou muito, esvaziamos a primeira garrafa de vinho, quebrando a formalidade inicial e enchendo de sorrisos abertos o nosso encontro.

Àquela altura, inúmeras recordações passeavam entre goles tintos e gestos apressados tentando resgatar episódios que cada um de nós expunha com promissor entusiasmo. Talvez, para reconstruir o futuro, seja menos penoso recorrer aos bons momentos do passado. E o fazíamos com plena competência. Começamos pelo nascimento da Clarinha. O cordão umbilical enrolado em seu pescoço sufocava a nossa esperança, e o medo da perda nos assombrou como nunca antes havíamos experimentado. Contudo, a explosão de alegria ao ouvir o choro mais aguardado de nossas vidas foi algo de retumbante, inigualável, inenarrável. Sempre nos emocionamos ao pensar...

Rosana lembrou o dia do casamento no instante em que fizemos o segundo brinde. Ela se vangloriava em dizer ser a responsável por ter me ensinado a brindar de maneira polida: “Pôr a taça na mesa antes de provar a bebida é de uma pobreza de espírito sem precedentes...”, asseverava sempre num tom de provocação e com um meneio de cabeça reprovador. Antes da cerimônia, recomendou-me duas coisas apenas, ainda que umas trezentas vezes: “Não se esqueça de sorrir na entrada e, no brinde, pelo-amor-de-deus, não deixe de provar a bebida logo depois da saudação! Posso ficar tranquila?”.

Pura quimera! Não ficaria tranquila enquanto não começasse a celebração e se certificasse do bom andamento de tudo. Brinquei que quase desisti de casar ao presenciar sua crise nervosa por causa das indesejáveis nuvens cinzentas. Eram realmente numerosas pela manhã, passeando intimidadoras e sobranceiras pelo céu – justo no grande dia! A recepção seria realizada num vasto gramado, ao ar livre, e, se a chuva tivesse chegado conforme a ameaça, a festa iria literalmente por água abaixo.

Obviamente, não perdi a deixa: “Nunca entendi aquele seu piti, o maior prejudicado seria eu...” e prossegui sarcástico, porém evidenciando familiar carinho: “Eu quem tive de fazer dois investimentos de alto-risco de uma só vez: pagar uma fortuna por uma festa que podia não acontecer e consentir em passar o resto dos meus dias ao seu lado... Muita coragem!”. Ela me premiou com uma risada aberta, embora isso não significasse bastante devido às circunstâncias, devo confessar. A bebida já se encarregara de afastar qualquer inibinição remanescente.

Nossa viagem ao passado finalmente chegou ao ponto de partida. Decisão da Copa de 94, as ruas do Leblon estavam apinhadas de gente na hora da disputa dos pênaltis. Minha euforia após a cobrança do Baggio por cima do travessão durou relativamente pouco. De súbito, senti uma ligeira, mas aguda queimadura no braço esquerdo. Era o cigarro de Rosana, que pulava feito louca no meio da multidão. Disse somente aceitar as desculpas se ela concordasse em tomar um sorvete. E o nosso primeiro beijo foi verde-claro, com gostinho de pistache...

A noite caminhava para o desfecho esperado quando uma frase atravessada cruzou a mesa acometendo meus ouvidos desarmados. Eu não podia ter perdido o timming, não naquele momento. Rosana não se conteve e disparou em minha direção, cobrando mais compostura e respeito à sua presença. Meu descuido – chamemos desta maneira – durou um segundo e meio a mais, não chegou a dois – tenho certeza absoluta –, mas foi o suficiente para reavivar os nossos tempos mais críticos.

Dispensável dizer que minha atitude mereça alguma defesa, mas era simplesmente impossível não observar a presença devastadora da dona daquele vestido justo. E digo justo não apenas pela estreiteza, mas, sobretudo, por delinear com desejável competência e fidelidade suas curvas. Perigosas curvas... Ao passar pela lateral da mesa, cativou simultaneamente nossos olhares por alguns instantes, meu e de Rosana. O grande erro, entretanto, foi me prolongar por um segundo e meio em minha atenta observação – uma eternidade para um homem acompanhado. O pior é que não cogitava de forma alguma aventurar-me em qualquer relacionamento extraconjugal. Pura babaquice masculina...

Não pedimos a terceira garrafa de vinho, a solicitação ao garçon foi de que telefonasse à cooperativa de táxi mais próxima da região. Em silêncio, sentimos o último gole descer amargo pela garganta quando a derradeira nota do piano desafinou, quebrando o encanto da noite. Paguei a conta antes que as luzes de nossos rostos se apagassem por completo. Partimos em carros separados, cada qual para seu respectivo destino.

Licença Creative Commons
A obra Um Segundo e Meio Depois de Alexandre Cunha dos Santos foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Com base na obra disponível em tipoescrito.blogspot.com.
Podem estar disponíveis permissões adicionais ao âmbito desta licença em http://www.tipoescrito.com.br.